quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

*Lu e Luana*







 


002/26

*Lu e Luana*

Um conto ilustrado em traços de saudade e esperança


Nos anos 1950, o eco da pólvora ainda pairava no ar…

Mas nas aldeias mais afastadas, a verdadeira guerra era contra a miséria e a fome.

Sonhar? Isso era luxo reservado às crianças.

Lu e Luana, netinhas de Nhá Joana — viúva, mãe de muitos, avó de tudo —, fecharam os olhinhos e abriram portais.

Caminhavam entre nuvens de algodão-doce, bebiam orvalho como groselha gelada e escutavam anjos cantarem melodias que só ouvidos puros conseguem ouvir.

Os adultos mais sensíveis sentiam apenas… uma brisa de bem-estar.

A mãe? Sumiu na vida que não deixa espaço para abraços.

Sobrou para Nhá Joana ser tudo: avó, mãe, mestra, curandeira.

E ela decidiu:

“Minhas meninas vão ser enfermeiras.”

Depois de uma doença que quase as levou, o carinho de médicos e enfermeiras plantou o sonho nelas.

Agora, Lu e Luana querem devolver ao mundo o mesmo cuidado que receberam.

Sorte dos bichinhos da casa.

Sorte do mundo.

✍️ Ilustração em bico de pena (A3), papel couchê 300g

Cores: hidrocor, lápis de cor e aquarela

Pacard, brasileiro, designer e ilustrador

📩 dpacard@gmail.com

📲 +55 (48) 99929-2200

@pacard1957

O que vocês acharam dessa história?

Qual sonho de infância ainda vive em vocês? Conta aqui nos comentários 💙

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Arte pronta by Pacard - Ilustrador

 









*Por que continuo a desenhar à mão, em plena era da IA?*


Muitos me perguntam por que utilizo pena de aço, nanquim, lápis de cor, aquarela e hidrocor — mesmo tendo à disposição todos os recursos digitais. A resposta é simples e profunda ao mesmo tempo: porque o traço manual carrega algo que nenhuma tecnologia consegue reproduzir — identidade.

Após quase 50 anos dedicados ao desenho e ao ensino de desenho e perspectiva, ouvi de amigos algo que me marcou: meus traços trêmulos, às vezes imperfeitos, não são falhas — são assinatura. Eles falam de mim. Quase materializam minha alma de desenhista.

Sim, utilizo recursos digitais. Eles são ferramentas valiosas. Mas é no desenho feito à mão que finalizo minha paixão pelo belo, pelo delicado e pelo original.

Decidi, então, revisitar a essência dos grandes ilustradores dos séculos XVII ao XIX, como Gustave Doré e Alphonse Mucha — naturalmente com minha interpretação autoral. Dessa escolha nasceram coleções que têm encantado colecionadores e apreciadores da arte clássica com sensibilidade contemporânea.

Desde que me mudei de Florianópolis (SC) para Nova Petrópolis (RS), tenho encontrado inspiração nas paisagens, na arquitetura e na atmosfera cultural da região. Quero registrar muitas das belíssimas casas e cenários daqui, sem deixar de lado os retratos — de pessoas, de seus antepassados resgatados de fotografias antigas, e até de animais que fazem parte do cotidiano e da memória afetiva.

Cada obra é única. Cada traço carrega história.

A série apresentada ainda está disponível, e estou produzindo intensamente.

Se você valoriza arte autoral, feita à mão, com técnica clássica e alma contemporânea, será um prazer conversar.


📩 Contato:

WhatsApp: (48) 99929-2200

Email: [dpacard@gmail.com](mailto:dpacard@gmail.com)

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terça-feira, 17 de dezembro de 2024

CASAS DA ALMA II - Coleção em Bico de Pena

 

Todas as peças encontram-se à venda

Valor unitário: A COMBINAR  (mais despesas de correio e seguro)
Válido até 31/01/2025
Peças originais
Tamanho 30x40cm, Papel Couchê ou Reciclatto
Desenhos em Bico de Pena e Lápis de Cor

Assinadas pelo autor

Encomendas: dpacard@gmail.com - 48 99929 2200


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"O projeto "Casas da Alma" 

de Paulo Cardoso é um projeto único, 

que vai muito além de um simples desenho de casas. 

Este projeto é como se fosse um relato vivo das histórias 

daquela geração que habitava a região.

O artista Paulo Cardoso conserta um 

olhar incrível nas casas e habitações,  rurais do Sul, 

dando-lhes uma segunda vida em forma de desenho, no velho traço em "Bico de Pena". 

O artista está não apenas desenhando, 

mas ao mesmo tempo, criando uma 

paixão e contando uma história. 

Cada traço, cada ilustração, carrega

 uma parte de todos os seus modelos

Para Apoiar o projeto e adquirir suas obras: 

48 999 61 1546 (whtsapp)

dpacard@gmail.com

Para conhecer mais trabalhos do artista

www.illevert.com.br





















quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Genevaldo

Genevaldo era um sujeito munto dado, prestimoso, e fazia de um tudo para agradar a pessoa. Certa feita, foi na repartição retirar uma licença para alguma côsa que eu não saberia dizer bem ao certo o que seja, mas era um papel da repartição que era de "percizão" do Genevaldo.
Lá chegando, enfrenta os tradicionais protocolas, senha de atendimento, sala lotada, e pacientemente, encontrando uma pontinha de banco, vaga, tomou assento e, cruzando uma perna sobre a outra, a balançar o pé, com as duas mãos apoiadas no banco, por baixo das pernas, pôs-se a bomber as peçôa do ambiente.
O tempo ia passando, e ainda demorava a vez dele, foi logo de se enturmando, e em pouco tempo, estava às falas com uma senhôra muito bem apessoada, que, por ser gentil e educada, sorriu delicadamente para o matuto. Foi o que bastou, e logo estava Genevaldo contando a vida dos seus antepassados, não sem encaixar com a ispiculação notória de também desejar saber sobre a vida alheia, e foi assim que o diálogo caminhou:

- Tempo bão, né dona! será que chove?

- ´Não sei dizer, mas seria bom, está bastante calor.

- É memo! Falecido meu vô era traquejado em saber do tempo. Era "oiá" pro céu, bombear pras formiga, e contar as nuvi, que já dizia na hora (acentuou o "na hora")  se ia chovê ou ia estiar.

- Ah sim, os antigos tinham experiencia no clima. Meu avô também sabia dessas coisas.

- É memo. E quem era seu avô?

- Demerval dos Prazeres.

- É memo? Prazeres por parte de pai ou parte de mãe?

- Parte de pai, sim senhor.

- E vosso pái, como se chama?

- Danúbio, como o nome daquele rio lá no estrangeiro.

- Danúbio. E vossa mãe, seria...?

- Setembrina.
Com ar de espanto, abraçando a face com as duas mãos, e olhos arregalados, exclamou?
- Setembrina! Não vá me dizer que é a setembrina do Maristelo, fio de Jemila?
- Ela mesmo. O senhor a conheceu?
Dando um tapinha maroto no ombro da moça, exclamou com um largo sorriso:

_Cumi munto, sinhóra sua mãe!!!


Desenho: IA

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

O relógio luminoso do galalau

Pois o fato deu-se no início dos anos 1970, aqueles anos confusos e cheios de infames tontices que nos remetem à vergonha por atraso, das espalhafatoas coisas que fazíamos, com a insensata noção de que éramos felizes. E pior, que éramos mesmo, ainda que imbecis de marca maior. Veja o caso.
Era comum que Elisabeth Rosenfeld e Erich, seu espso, donos do Artesanato Gramadense, realizassem alguns eventos no ano, regados a churrasco e laranjada, e foi num nesses eventos, que ao fim da tarde, a rapaziada decidiu esticar a noite em uma bailanta de interior, bastante comum no município, naqueles tempos. E se não me falha a memória, foi, ou na Linha Bonita, ou na Linha Nova o baile. E, como minha mãe fazia parte da equipe de trabalho do Artesanato, eu me engajava às benesses da situação. e por fim, lá estava eu, por volta da meia noite, vestido à caráter, de terno e gravata, perscrutando o ambiente, à cata de uma sedutor moçoila para convidá-la a dançar.
Ocorre que nesse tempo, enos bailes de interior, o método de convidar, ou "tirar" para dançar, uma moça, era uma aproximação, pois geralmente ficavam de pé, aos pares, posto que não era de bom tom uma moça sozinha em um salão de baile, e para que fosse convidada a dançar, precisava estar de pé, pois as que estivessem assentadas, estariam necessariamente acompanhadas, e não disponíveis aos afagos da dança. Entao, com meu sensor ligado, ajustando o cronômetro para alguém da minha faixa etária, localizei a vitim..., digo, a mocinha, e direcionei o leme rumo ao cantinho de onde estavam, ela, e sua companheira.  Assim, chegando postava-me diante delas, cumprimentando-as sorridente, mas não arreganhado, pois isso não era de bom tom, e delicadamente, batia palmas quase idaudíveis, mas à vista de todos, demonstrando minha intenção, ao que fui aquiescido pela bela dama.

Já na pista de dança, empenhei-me ao máximo em demonstrar que eu estava usando meu relógio novo, cm ponteiros luminosos, radiativos, do tido que foi banido, alguns anos depois, por ser cancerígeno. Mas eu não sabia, e minha expressão de felicidade deixava claro que ostentar um relógio deste calibre, era uma referência de elegãncia e modernidade. E assim, de minuto em minuto, entre uma volta e um rodopio na dança, eu esticava o braço e relatava as horas, até o momento em que segredei no ouvido da moça que aquele relógio mostrava as horas até mesmo no escuro. Então, abruptamente ela fechaou a tex, amarrou a cara, agradeceu pela dança, e saiu pisando duto, de volta ao seu cantinho, dispondo-se a aceitar rodopiar com o próximo pé de valsa menos atrevido.

Eu não estava galanteando, ou assediando, ou melhor dito: Cantando a moça! Não estava mesmo. Eu só queria mostrar meu relógio luminoso. Dou minha palavra! Era tão bonito ver as horas no escuro.


Pacard
Escritor, contador de causos, e pé-de-valsa atrapalhado



segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Celso Bertolucci e a Moedinha influenciadora

 Em meados dos anos 90, tive um sócio que era um furacão nas vendas. Vendia gelo pra esquimó, seguro pra casa pegando fogo, e o que aparecesse na frente, ele arrumava comprador. Algum tempo depois,, por outros motivos, nos incompatibilizamos, e a sociedade acabou. Mas guardo lembranças pitorescas desse tempo, e uma destas lembranças remete a um cliente, "osso duro" de negociar, bem pouco acessível, até então, até que um dia, meu sócio chegou decidido na editora, e disse:


- "Paulinho! Hoje nós dois vamos vender um anúncio para o Dr. Celso Bertolucci!" (Celso Bertoluci, engenheiro, além de ter sido o responsável pelo projeto do Cine Embaixador, hoje Palácio dos festivais, era também proprietário do Hotel Serrano, em Gramado).

- "Boa sorte!" - Falei. Mas é muito difícil chegar nele com uma proposta. Mas, se insiste, vamos lá, juntos.

E fomos. Chegando lá, encontramos a famosa barreira da secretária-recepcionista, uma jovem morena, gentil, que fez a terrível pergunta:
- "Qual seria o assunto com o Dr. Celso? Ele vai perguntar, já que não marcaram hora!"

Fiquei sem reação, pois dizer que queríamos vender algo que ele não tivesse solicitado. Meu sócio, percebeu, e com um tirocínio de felino, imediatamente, respondeu à moça:

- "Diga ao Dr. Celso que viemos trazer um dinheirinho pra ele!"
Ela riu, elegantemente, e ao telefone, transmitiu a mensagem. Ele mandou que subíssemos até sua sala.
No caminho, rapidamente tive uma áurea inspiração, e parei meu sócio:
- "Dê-me uma moedinha!" - Falei.
Ele meteu a mão no bolso e me entregou uma moedinha de baixo valor. Fechei a mão, e prosseguimos.

Chegando na sala, estava ele, Dr. Celso, na porta, com ar imponente, com o braço estendido, e a mão aberta, à espera do tal "dinheirinho", prometido. Coloquei a moedinha na mão dele, que olhando com determinação para a moeda, fechou a mão, guardou no bolso, e nos convidou a entrar.

Vendemos o anúncio!


Desse dia em diante, tornei-me amigo do casal Celso e Nélide (ela era artista plástica, autora daquele monumento em frente à Igreja de Pedra, em Gramado). Mais tarde, já desfeita a sociedade, a revista mudou de nome, e eu mantinha na revista, uma coluna chamada: "Nosso gourmet recomenda", onde naturalmente eu passava um pente fino na gastronomia de Gramado, o que fez render-me grandes amigos e ferozes inimigos nesse tempo. Celso, um dia, ligou e me perguntou a razão do restaurante dele não ter sido mencionado ainda na revista. Falei que é porque eu não tinha provado suas especiarias (não era bem verdade, pois anos antes eu era assíduo nos eventos do hotel), e fui então convidado para um jantar lá. Imaginei que seria recebido como costumeiramente em outros locais, e no máximo, receberia uma sobremesa de cortesia. Nada disso acontece. Quando cheguei, lá estavam Celso e Nélide, elegantemente vestidos, em uma mesa especialmente preparada para mim, e meus convidados, que fiz questão de ser acompanhado, e fomos tratados com uma cortesia própria de pessoas elegantes, que eram eles (eu, nem tanto assim).

São momentos assim, em minhas lembranças que me fazem crer que, ao contrário do que apregoam os "profetas do terror", Gramado tem uma essência gentil, encontrada apenas em pessoas que tem na hospitalidade o grande patrimônio social.


Foto de  Nélide Bertolucci*


Pacard
Designer - Escritor - Contador de Causos




terça-feira, 20 de agosto de 2024

As Rosas que me perfumaram a infância


Rosas cor de rosa! Estas são pra mim, mas genuínas do que qualquer outra rosa que há. Até rosa preta já está aparecendo. Lindas, não nego. Rosas vermelhas, então, são fabulosas. Mas nenhuma tem a inocência e o perfume da Rosa cor de rosa, aquele pequenininha que se derrama em caramanchões pelas cercas das casas antigas. 
Recordo da minha tenra infância, daquele tempo com sardas nas têmporas, orelhas de abano, nariz parecendo uma bolinha na ponta dum palito, sobrancelhas expressivas, dentuço, como todo meni dessa idade é. e sonhador, muito sonhador (acho que foi, de mim, o que permaneceu).

Esta reflexão é porque recentemente comprei um pote de geleia de pétalas de rosa, importado do Líbano, e para minha particular decepção, as pessoas odiaram, pois é absolutamente incomum, associar perfume de flores a alimentos. PANCS, entende? Porém, incomum aqui, pois no Oriente, perfume e comida se fundem, e é de lá quem chegam as mais misteriosas fragrâncias.  Mas aqui é Brasil, somos tropicais, nossos cheiros são Canela, Cravo, e Pitanga..bem, fico apenas com a Pitanga, pois Cravo e Canela também vêm do oriente. Porém, a fragrância que exala aquele pote de geléia, embarcou-me em uma viagem no tempo, e levou-me então aos meus oito anos, parecido com os oito anos de Casimiro de Abreu. Isso porque, estas rosas florescem na Primavera, lá por Novembro, tempo do meu aniverário (não o que registrou meu tempo de aposentadoria, mas o tempo em que nos jardins, perfumes havia), e nesse dia..ah, nesse dia, minha mãe, senhora dona Ester, ladeada por minha avó, Maria Elisa, e meu tio, Samuel Isaac, que troçava de mim o tempo todo, e juntos,  preparavam para mim, uma festinha, com comilanças (sim, pobre come muito bem, especialmente em aniversário), e entre estas, o principal: Uma torta feita com "Bolo Santista", recheada de nata com Morango, coberta com chantilly caseiro, e adornada com rozinhas de açúcar de confeiteiro. Isso era pra mim, e claro, meus convidadinhos, geralmente primos e primas, vizinhos, todos comiam bolo, brincávamos até o anoitecer, e ao voltar à casa, tinha ainda uma faia escondida só pra mim, de novo. E nem lembro quais eram os presentes, mas a torta, sim, era de Morango e Nata, adornada com rosas de açúcar. E eu comia tudo!




*Lu e Luana*

  002/26 *Lu e Luana* Um conto ilustrado em traços de saudade e esperança Nos anos 1950, o eco da pólvora ainda pairava no ar… Mas nas aldei...